segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Indiferença




Chega um momento na vida em que a gente para pra pensar e percebe o quanto deixamos de nos importar com coisas desnecessárias. Nos tornamos mais clean, mais leves. A maturidade bate à porta e percebemos que certas coisas simplesmente não nos interessam mais, que não fazem mais diferença nenhuma.

Eu não me importo mais com um monte de coisa – e de gente, principalmente.
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Acho que o final do ano e a proximidade do meu aniversário de 25 anos – ¼ de século! – têm mexido mais comigo do que eu gostaria. A minha percepção de tempo mudou muito nesses últimos meses. Não quero e não posso o desperdiçar fazendo coisas que eu não gosto ou estando com pessoas que eu não quero.

“Nossa, como você mudou.” É. Mudei mesmo. Precisei. Ou eu mudava, ou era pisoteada por você, que me diz essa frase, e pelo mundo também.

Tanto faz se concordam ou não com a maneira com que eu levo a minha vida. Se falam pelas minhas costas, se me criticam, se dizem que eu não tenho coração.

Eu cansei, sabe? Cansei de fingir, de colocar máscaras e fazer de conta que está tudo bem quando não está. Me deixa no meu canto, não mete o dedo comigo se não tiver certeza que pode aguentar o tranco depois. Porque eu não corro mais atrás de ninguém.

Eu não me importo mais. Parei de valorizar quem está longe porque quer, que não faz um mínimo de esforço pra se aproximar e, quando o faz, é porque precisa de algo.


Demorei muito tempo pra perceber que era necessário erguer um muro em torno da minha vida, para que não fosse qualquer pessoa que tivesse acesso a minha intimidade. E ele foi erguido e é inexpugnável. Poucas pessoas têm acesso ao lado de dentro e os ingressos pra entrar estão esgotados pra quem esteve do meu lado uma vida inteira e nunca se importou comigo. O faz de conta que acontece não vale.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

[Resenha] O Velho e o Mar - Ernest Hemingway

Há 84 dias o velho Santiago não pescava um só peixe, trazendo para si a fama de azarão. Até mesmo o menino que costumava o ajudar, Manolin, fora mandado pelos pais para outro barco, proibido de ajudar o velho. Mas nem mesmo todas adversidades do mundo fazem com que Santiago deixe de acreditar em si mesmo, o que faz com que ele parta sozinho para alto mar, em uma aventura solitária e perigosa.

Em o Velho e o Mar, Hemingway nos apresenta três protagonistas: o velho pescador, Santiago; o mar e todos os seus mistérios e belezas e, um pouco mais tarde, o peixe.

Com pouco mais de 100 páginas, eu configurei que fosse um livro tranquilo de ler. A linguagem e o enredo tão simples não deveriam ser tão difíceis de entender, afinal. Com um pouco de vergonha, admito que subestimei O Velho e o Mar (mesmo ciente do fato de que Hemingway ganhou um Nobel de literatura pouco depois de sua publicação).

Vinda de uma geração acostumada com séries de livros repletas de personagens, em universos inteiramente novos (como Harry Potter, Jogos Vorazes e, recentemente para mim, As Crônicas de Gelo e Fogo), eu não estava habituada a complexidade do simples. O velho e o Mar tem uma história descomplicada, escrita em uma linguagem sem muitas firulas, mas esconde uma genialidade que me pegou completamente desprevenida.

Quando eu percebi que a história inteira se passaria com Santiago no mar, sozinho com seus pensamentos e com o peixe, fiquei boquiaberta. Não conseguia conceber como alguém poderia ser tão criativo ao ponto de escrever um livro tão envolvente com tão poucos elementos.

Os pensamentos do velho, enquanto está preso ao peixe gigante que mordeu sua isca, são, com toda a certeza, as melhores partes do livro. São trechos com uma poesia maravilhosa que realmente me levaram a reflexão. Não consegui terminar de lê-lo em uma tarde, como eu imaginava.

Abaixo, um dos trechos que mais gostei, que me bateram em cheio:

“ – Gostaria de ter trazido uma pedra para afiar a faca – disse o velho depois de examinar os nós da ponta do remo. – Devia ter trazido uma pedra. “Sim, você deveria ter trazido muitas coisas”, pensou “Mas não trouxe, velho. Agora não é o momento de pensar naquilo que você não tem. Pense antes no que pode fazer com aquilo que tem.”

Perseverança. Acho que essa foi a lição mais importante que aprendi na jornada que passei ao lado de Santiago. Procurar saídas, buscar soluções ao invés de se queixar das circunstâncias. Santiago representa você, eu e a humanidade na eterna luta contra a correnteza, que teima em tentar nos arrastar para o abismo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Bengalas emocionais

Gastamos boa parte do nosso tempo em busca de referências para nossas próprias vidas, já reparou?

Muito além de nos basearmos nos nossos círculos de amizades e na nossa família, buscamos um pedacinho de nós perdido em cada reportagem sobre comportamento que abrimos na internet. No corte de cabelo, que temos medo de fazer sem a opinião da melhor amiga, no estilo de se vestir, que começa a se tornar muito parecido com o do grupo de amigos... E em tantas outras inseguranças que nos deixam cada vez mais longe de nós mesmos.

Com argumento da experiência própria, posso dizer que me libertei de uma prisão e me enclausurei em outra. Quando mais nova, eu tinha uma necessidade crescente e doentia de aprovação do meu pai. Ele era muito rígido com quase tudo e se eu não conseguisse me encaixar no padrão que ele estabelecia, um sentimento muito grande de frustração tomava conta de mim. Quando finalmente me libertei dessa bengala emocional, achei que era o fim, que, finalmente, eu viveria do meu jeito e faria tudo por mim, pelo meu prazer.

Igualzinho a um passarinho, com toda a liberdade que ele tem de ir aonde quiser, foi em busca de abrigo que eu caí na segunda armadilha desse tipo. Dessa vez, eu já estava casada e com o afastamento que tive dos meus pais depois desse período, acabei me aproximando muito de um grupo de amigas que eu tinha. Veja bem, são pessoas maravilhosas, não quero entenda mal. O problema dessa situação toda não estava nelas, estava em mim, que passei muitos dos meus dias do último ano me dedicando a ser como elas.

Eu não respeitei os limites que a individualidade impõe. Eu achava que se a fulana estava fazendo daquela maneira, eu também deveria fazer, afinal, ela era – e ainda é – um exemplo a ser seguido. Ela se veste tão bem, se maquia todos os dias, está sempre impecável. Eu também preciso estar. E com pensamentos assim, um pouco de cada vez, eu fui me sacrificando e arrancando à guilhotina pedaços de mim até que eu me olhasse no espelho e não me reconhecesse mais.

E isso aconteceu há uns seis meses, mais ou menos. De lá pra cá, a busca constante pra me reencontrar não tem sido fácil. A parte mais difícil do processo é você admitir o problema, olhar no espelho e saber que o reflexo que vê não é você; e que você precisa acha-lo e trazê-lo de volta. Eu me desfiz em uma porção de pedacinhos ao ponto de ter muito de várias pessoas e nada de mim. Eu estava oca, seca por dentro. Sedenta por algo que acho que ainda não sei o nome.

Mudei muito nesses últimos tempos e, agora, tenho vigiado quanto às bengalas emocionais. Esse ano foi muito importante porque, com tudo isso, eu precisei aprender a me amar primeiro. Tenho vinte e quatro anos e acho que esse é o primeiro período da minha vida em que posso dizer que eu, verdadeiramente, me amo. E não tem nada de errado com isso, não é egocentrismo. A gente só aprende a amar as pessoas de verdade quando se ama primeiro, e eu não entendia isso.

Não deixei de ser amiga de ninguém nesse processo, e nem de gostar de ninguém. Mas mudei muito a minha maneira de me relacionar. Hoje, eu consigo colocar limites não só nas pessoas, mas em mim mesma. Aprendi a não invadir o espaço de ninguém pra não ter o meu invadido e tenho amizades muito mais saudáveis do que tive a minha vida toda.


Dói muito não saber quem você é e o que quer, mas me perder foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo. Precisei olhar o meu reflexo e não enxergar nada pra tomar uma atitude e mudar, me descobrir, me achar.

Hoje,a a melhor referência que eu tenho pra minha vida sou eu mesma, os meus erros e o que posso aprender com eles. E isso é maravilhoso!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

TOP 10: As melhores séries que vi em 2016


Mais um ano chegando ao fim, e eu tentando fazer a retrospectiva de tudo que eu fiz em 2016. Decidi começar pelas séries. Pela primeira vez, eu consegui assistir muita coisa, então organizei um TOP 10 com as favoritas desse ano. Vamos lá?

10º - Full House



Com estreia em 1987, a série já foi exibida algumas vezes pelo SBT e eu acompanhava sempre quando era criança. Com a chegada no Netflix, assisti na sequência e fiquei ainda mais apaixonada. Na história, Danny Tanner perde a esposa em um acidente de carro e precisa da ajuda dos dois melhores amigos, Joey e Jesse, para criar as três filhas: a pré-adolescente DJ, A espevitada Stephanie e a bebê Michelle. Três homens cuidando de três meninas é uma combinação que com certeza me rendeu boas gargalhadas.

9º Modern Family


Três famílias que são ligadas entre si: Jay Pritchet é o patriarca dessa família, um homem já mais velho, separado da primeira esposa, e casado com uma mulher mais jovem, latina e muito bonita, chamada Gloria. Ela, por sua vez, é Colombiana e tem um filho do primeiro casamento chamado Manny, um menino inteligente e bastante sensível. Jay tem dois filhos: Claire, que é casada com Phill e tem três filhos: Hailey, Alex e Luke. Claire é extremamente controladora e metódica, enquanto o marido é bem mais liberal e extrovertido, embora mesmo depois de tantos anos, ainda precise da aprovação do sogro em tudo que faz. O outro filho é Mitchel, gay e casado com Cameron. Mitchel é advogado ambientalista e faz questão de ser o mais discreto que pode, ao passo em que Cameron é muito mais solto e gay do que Mitchel, certa vez comenta, gostaria. Juntos eles adotam Lily.

8º Pan Am


Série de apenas uma temporada, conta o dia a dia da tripulação da famosa empresa aérea Pan am nos anos 60. Somos apresentados a Laura, que abandona seu noivo no altar e decide seguir a irmã, Kate, na carreira de comissária; Kate, irmã de Laura, que precisa lidar com a fama repentina da irmã e um segundo emprego bastante arriscado; Dean, o piloto recém promovido, que teve um breve envolvimento com a comissária Briget; Ted, o copiloto e amigo de Dean, ex-aviador e piloto de testes, foi afastado do cargo por negligência; Collet, comissária de bordo francesa, que se tornou órfã e tem um forte ressentimento contra a Alemanha, e Maggie, a comissária mais divertida que eu poderia conhecer, que não tem medo de desafiar as regras da Pan Am.

Infelizmente, a série não foi renovada para a segunda temporada, deixando vários plots em aberto. Fora isso, gostei bastante de Pan am, é dinâmica e podemos acompanhar nas entrelinhas das histórias dos comissários vários fatos históricos que realmente aconteceram, como a morte do presidente Kennedy e como isso afetou a vida dos americanos. Apesar de ficar incompleta por não ter sido renovada, vale a pena. Se isso não servir de incentivo, vale dizer que antes de interpretar a Arlequina de Esquadrão Suícida, Margot Robbie deu vida a Laura, em um show de interpretação.

7º Stranger Things


A queridinha do ano também me conquistou. Stranger Things conta a história de Will Byers, um garoto que desaparece misteriosamente sem deixar muitos rastros. Enquanto os amigos de Will, Dustin, Michael e Lucas, sua mãe e seu irmão, Joyce e Jonathan, e a polícia o procuram, um grande mistério se desenrola nos bastidores, envolvendo um experimento secreto do governo e uma menina bastante esquisita, chamada Eleven.

São apenas oito episódios, mas eles me prenderam de um jeito que eu assisti a série inteira em uma tarde. O mistério envolvendo o laboratório Hawkins e a ligação com a Eleven se arrasta até os quarenta e cinco minutos do segundo tempo e quando eu achei que tudo estaria resolvido e se acertaria, o final do último episódio mostra que as coisas tendem a ficar ainda mais estranhas.
Felizmente, teremos segunda temporada no ano que vem. 

A CCPX de São Paulo exibiu um vídeo exclusivo dos bastidores da segunda temporada: https://omelete.uol.com.br/series-tv/noticia/ccxp-2016-netflix-exibe-video-exclusivo-dos-bastidores-da-2a-temporada-de-stranger-things/

6º Friends


Série de comédia famosíssima, foi outra que, assim como Full House, acompanhei a sequência de episódios pela primeira vez , apesar de ser uma série mais antiga. Também já tinha visto episódios esporádicos, mas acompanhar a sequência trouxe uma magia que me levou as lágrimas no último episodio. Monica, Rachel, Phoebe, Ross, Chandler e Joey sempre vão ter seus lugares no meu coração. Melhor série de comédia da vida, sem dúvidas.

5º House Of Cards


Original da Netflix, House of Cards conta os  bastidores do poder Americano. Frank Underwood é um democrata que não vai sossegar enquanto não se sentar no topo do mundo e do poder: na cadeira de presidente dos Estados Unidos da América. Ele é casado com Calire, uma mulher fina e de classe, tão calculista quanto o marido. Juntos, os dois formam um time quase imbatível.  Com muitas jogadas politicas, alguns assassinatos e manipulação, House of Cards entra no meu Top Cinco. Apesar de todas as canalhices, Frank se tornou um dos meus personagens de série favoritos.

4º The Crow


Estreia recente da Netflix, The Crow narra os primeiros anos do reinado da Rainha Elizabeth II. Com a morte do Rei George, Lilibet precisa assumir o trono e todas as suas responsabilidades, além de ter que lidar com seu marido, Philip, que mostra sinais de rebeldia por ter de se submeter a mulher e abandonar a carreira militar.

Essa primeira temporada foca muito na relação de Elizabeth e Philip, que tem embates quase diários. Também vemos tomar vida a história da princesa Margaret, que causou reboliço ao se envolver com um homem divorciado, e a relação da Rainha com o Primeiro Ministro Britânico Winston Churchill, que tinha assumido o seu segundo mandato.

A série tem uma fotografia linda e a achei muito sensível em alguns trechos. Inclusive, conseguiu arrancar minhas lágrimas no episódio em que o Rei George morre e, quase lá no final, no episódio em que Churchill recebe como homenagem do parlamento uma pintura sua.

3º Game Of Thrones


Depois que uma temporada acaba com uma morte como aquela, assistir a sexta temporada de Game of Thrones se tornou um dever pra mim. Jon Snow, afinal, ressuscitou, e uma série de eventos deixou a série ainda mais perto do derradeiro fim. Pontos fortes da temporada: a ascensão de Daenerys, as visões de Bran e consequentes descobertas (ainda choro pelo Hodor), a cena na Torre da Alegria, a libertação de Sansa, que passa a se tornar uma personagem mais forte e o “julgamento” de Cersei no Septo de Baelor.

2º Ascension


Melhor descoberta do ano, com certeza. Em uma ficção cientifica maravilhosa, a Ascension é uma nave espacial lançada com cerca de 350 pessoas a bordo. Baseado no Projeto Órion, a série inicia já em 1983 explicando que, temendo que a guerra fria acabasse com a Terra, a Ascension foi enviada com a missão de colonizar a Proxima Centauri e assegurar a sobrevivência da raça humana. A missão duraria 100 anos, mas, com 51 anos de viagem, acontecimentos fazem com que os tripulantes comecem a questionar sua verdadeira missão.

Surpreendente, apenas isso.

1º The Blacklist


The Blacklist é a minha queridinha das séries. Raymond Reddington volta para uma terceira temporada ainda mais eletrizante, tentando a qualquer custo, salvar Elizabeth Keen  de todas as acusações. Com um impacto atrás do outro e muita informação nova aparecendo, o nome Masha vem a tona.

Foi a melhor temporada de The Blacklist, com certeza. O passado de Liz e de Reddington parece ainda mais interligado, mas sem que se consiga fazer qualquer palpite quanto a como. O melhor episódio da temporada, pra mim, acontece quando Reddington se retira para uma praia e tem alucinações com Katarina Rostova, a famosa agente russa, mãe de Liz.

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Essas foram as minhas favoritas, e as suas? Conta pra mim nos comentários :)


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Quase lá


Era uma vez um sonho distante, quase inalcançável.

Você está nessa jornada há muito tempo, pensa. Está cansado de lutar, cansado de andar. As solas dos pés estão cheias de bolhas e seu estômago parece ter encolhido pela fome das coisas que você precisou abdicar até aqui. Sua cabeça dói constantemente e o peito acelera cada dia mais, movido pela ansiedade de que algo aconteça, de que uma ponte mágica surja diante de você, encurtando o seu caminho tão dolorido.

Mas a ponte não vai aparecer, e você sabe disso. Você precisa arranjar forças de onde já não existe e seguir adiante. Não adianta colocar a culpa no mundo, nas dificuldades que apareceram diante de você e que não consegue vencer; o sonho é seu, e de mais ninguém. Você o escolheu, e não o contrário. Logo, o preço é você quem terá que pagar.

Existe algo chamado preparação. Você não vai chegar ao fim da jornada enquanto não tiver passado com louvor por todos os testes de aptidão.

Não desiste, segura firme. Você está quase no olho do furacão e está com medo, eu sei. Mas quando a tempestade passar, com suas chuvas, vendavais e barulho, você olhará para o céu e encontrará o arco-íris. E saberá que o seu pote de ouro o aguarda, lá no final.


Eu sei que dói, que o corpo cansa e a mente faz sabotagens. Mas aguenta só mais um pouquinho. Você está quase lá. Hoje já falta menos do que ontem.